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Um breve relato sobre a experiência do Projeto “Vivendo com o Xadrez – Xadrez na sala de aula” 



Tudo começou há alguns anos quando para o meu desespero percebi que meus alunos estavam levando tudo para a mesmice, tratando qualquer assunto abordado em sala de aula para o marasmo, as aulas chatas, sem vida. Eles precisavam de algo novo, fora de seu alcance, foi então que tentei pedir à escola que comprasse um tabuleiro de xadrez. Na escola em que trabalho já havia na época, uma mesinha de pebolim, dominó e damas que ninguém utilizava nem aluno, nem professor. Eu havia cansado do quadro-de-giz e das folhinhas mimeografadas, das continhas que mecanizam o pensamento das crianças que ao invés de trazer-lhes independência e autonomia, apenas as reprimiam mais. O primeiro pedido teve resposta negativa, afinal havia outras prioridades. Não foi apenas uma vez que solicitei um tabuleiro de xadrez e as respostas continuaram sendo negativas.

Desde 2002 estou com as turmas que hoje se encontram na 4ª. Série. Tinha alunos com gritantes problemas de aprendizagem, de convivência e comportamental. Determinei então que iniciaria com o projeto custasse o que custasse, afinal eu deveria apostar na potencialidade das crianças. Foi aí que mandei um e-mail para o Prefeito César Maia e ele prontamente me atendeu com dois tabuleiros de xadrez, mandei uma cópia à secretária de Educação Profa. Sonia Mograbi que também fez providenciar mais dois tabuleiros. Finalmente consegui algum subsídio para iniciar o projeto. Copiei de um livro de Matemática um tabuleiro de xadrez com a foto das peças, recortei mobílies para colar no teto da sala, onde uma face era preta e a outra era branca e os arrumei na posição do tabuleiro, as crianças visualizavam e já condicionavam os nomes das peças e de suas respectivas posições. Expus oralmente, com auxílio do tabuleiro o movimento das mesmas e as regras básicas. Resultado final: tinha 70 alunos e todos em menos de duas semanas já jogavam independentemente, eu só tirava algumas dúvidas. Agora em 2005, um ano após o início do Projeto, minhas turmas participaram do primeiro torneio de xadrez nos Jogos Estudantis promovidos pela Prefeitura, representando três categorias : pré-mirim, mirim e infantil. Não soube a posição de todas elas, mas a categoria do pré-mirim ficou por um décimo, em quarto lugar. As outras, por estar tarde (já que o local do torneio era distante) não soubemos porque saímos antes do resultado, mas me aborreci, me senti lesada, enganada e fiquei furiosa por um equívoco que penalizou as crianças. Agora, há alguns meses, estendi o projeto aos alunos da 3ª. Série, e a professora já sentiu mudanças em seus alunos. A partir da próxima segunda-feira, serão iniciados também alunos da turma de Deficientes Auditivos que têm muito potencial e também as séries menores, pois pesquisei quando seria melhor iniciar as noções e treinamento, cheguei à conclusão de que as crianças pequenas também assimilam, mas com metodologia diferente.

Essa foi parte do início de uma história que com certeza ainda renderá excelentes frutos.

Por Vilma Barbareto
Professora de Rede Municipal do Rio de Janeiro
Escola Municipal 09.18.39 São Camilo de Lellis - Campo Grande
Rio de Janeiro, Maio de 2004

Contato
Vilma Barbareto (Idealizadora do Projeto)
(21) 3377-8604
vilma.barbareto@bol.com.br

Conheça o projeto da professora Vilma, clique aqui

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