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PROJETO DE INCLUSÃO DE OFICINAS DE XADREZ EM CENTROS DE ESTUDOS ELEMENTARES

POR LEONARDO C. AZEVEDO

"Diante do tabuleiro, a mentira e a hipocrisia não sobrevivem por muito tempo. A combinação criadora desmascara a presunção da mentira, os impiedosos fatos, que culminam no mate, contradizem o hipócrita."
Emanuel Lasker

UMA BREVE ESTÓRIA.
Há muitos séculos os gregos atacaram os troianos e cercaram a cidade de Tróia. A luta foi dura e os gregos não conseguiam derrotar os seus inimigos. O tempo passava e os troianos defendiam-se por todos os meios. Então Palamedes, general dos gregos, inventou um jogo, a PETTEIA, que prendeu a atenção dos soldados, já aborrecidos com a resistência do inimigo. Este jogo, segundo se julga, era uma espécie de xadrez e ganhou logo grande popularidade. No entanto, nem todos aceitam Palamedes como criador do xadrez.

Assim conta-se que foi na Índia que o jogo foi inventado por Sissa, ministro de um príncipe muito orgulhoso. Sissa resolveu dar uma lição ao seu senhor e provar-lhe que ele nada seria sem o apoio do seu povo. Depois de muito pensar o ministro inventou um jogo no qual o rei precisava do apoio de todas as outras peças para conseguir vencer o adversário. Encantado com o jogo que era o xadrez, o príncipe quis recompensar o inventor. Este pediu lhe um grão de trigo para a primeira casa do tabuleiro, dois para a segunda, quatro para a terceira, oito para a quarta e assim, sempre duplicando, até à última casa. O príncipe achou fácil satisfazer tal desejo, porém depressa viu que teria de dar a Sissa 18.446.744.073.709.551.615 (264) grãos de trigo, o que equivalia a encher todos os continentes da Terra com searas. Então Sissa renunciou ao seu pedido - que sabia impossível - e explicou ao príncipe a idéia que tinha tido ao inventar o xadrez. Este cheio de gratidão nomeou-o seu primeiro ministro.

Da Índia o jogo, que então se chamava CHATURANGA, foi levado para a Pérsia onde ganhou muitos adeptos. Mais tarde, os árabes, ao conquistarem aquele país, ficaram de tal maneira entusiasmados com o jogo, que o trouxeram para a Península Ibérica, quando a invadiram.

Daqui o xadrez espalhou-se para toda a Europa onde aderiu muitos adeptos e novas formas. . . .

APRESENTAÇÃO.

O Xadrez tem por excelência, extrair do intelecto humano suas melhores habilidades, desenvolvendo no aprendiz várias capacidades como a de assimilar problemas e soluções, como também a concentração, a paciência, raciocínio, favorecendo os vínculos deste com os demais semelhantes. Tais qualidades são encontradas em toda e qualquer pessoa, porém pouco exploradas por outros meios; fazendo deste jogo um método pedagógico que une o útil ao agradável, pois é de forma lúdica que se aprende e se ensina algo tão sério e divertido como o Xadrez e seu universo de 64 casas. Onde cada disputa é carregada de emoção e competitividade, da qual o próprio aprendiz se sentirá desafiado por si mesmo ao destilar das inúmeras alternativas de escolha o lance mais “satisfatório”, e se bem aprendido tais procedimentos, posteriormente lhe caberá utilizá-los no dia a dia de sua vida e assim, como nas combinações de jogadas, conciliar o que se tem à disposição na realidade, seja muito ou pouco, fazendo o melhor possível com o que se tem à mão, perseverando.

Através de regras simples, assim como a Vida, este jogo de reis tornou se o rei dos jogos, pois sua linguagem é universal e compreendida em todos os continentes do globo por qualquer que seja a etnia. Assim vêm atravessando séculos, talvez por trazer consigo muitas facetas, já que é definido como um misto de jogo, arte, esporte e ciência ou por ser algo diretamente ligado à performance humana em sua existência, pois figura o equilíbrio de forças em prol da soberania de um todo e também o respeito aos semelhantes.

“O xadrez é altamente recomendável na formação educacional da criança, diversos países o incluem como disciplina nas séries elementares. Segundo vários estudos, estimula nas crianças o desenvolvimento do raciocínio abstrato, da concentração e disciplina intelectual.

Ajuda na maturação emocional da criança e no fortalecimento da capacidade decisória”.

INTRODUÇÃO.

Popularmente o Xadrez é visto como um jogo de gênios, somente pessoas inteligentes podem jogar as partidas que demoram horas para chegar ao fim. Mitos como estes causam um receio natural àqueles que se propõem a aprender Xadrez, sendo que muitos jogadores ajudam a manter estes mitos, pois afinal de contas, quem não gosta de ser chamado de Intelectual? Seja qual for o nível de inteligência que o aprendizado deste jogo exija, há de se saber que cada um de nós tem as mesmas potencialidades que tantos outros, no entanto, com passar do tempo algumas vão se aprimorando, enquanto outras, por falta de pratica caem em desuso, chegando a ficar por vezes, atrofiadas. O que exercita tais capacidades é de forma geral, a maneira como administramos os conhecimentos e informações que adquirimos no decorrer da vida, ou seja, quanto mais usufruímos nosso cérebro, mais ele se desenvolve; como uma fonte, que supre as necessidades mentais de evoluir e criar, vitais a todo ser humano e encontradas em abundancia nas crianças.

Justamente por isso o Xadrez é tão apreciado por aqueles que o descobrem, pois ele extrai e concilia muita dessas capacidades ao mesmo tempo, agregando estes conhecimentos ao cotidiano da pessoa e não apenas naquele momento de lazer. Contudo, por ser receptivo a diferentes faixas etárias, ele é altamente recomendável para as crianças, pois é muito vantajosa sua pratica pelos pequenos, que aprendem brincando as maneiras de expor idéias, conter a impulsividade avaliando antecipadamente as vantagens e inconvenientes de uma decisão, introduzindo tais virtudes no universo infantil, já que não deixa de ser um jogo este valioso instrumento de ensino. Aliado as demais disciplinas curriculares como matemática ou história, promove um maior proveito delas pelos aprendizes que aptos a fazer assimilações, cruzarão as informações das diferentes matérias, que vinculadas umas com as outras, serão acessadas freqüentemente nas mais diferentes ocasiões, proporcionando uma rede útil de informações que permanecerá com o aluno pelo tempo que for necessário.

A educação de qualidade é o direito de todo ser humano, pois isso constitui uma importante missão de cidadania que tende a ascender o nível cultural dos habitantes desta cidade, pelos quais inclino minhas habilidades em prol da concretização desse direito, auxiliado por este instrumento ancestral de conhecimento, e também pelo corpo docente dos institutos que acatam a disciplina do Xadrez com benevolência, a fim de desenvolver em seus alunos as qualidades fundamentais de caráter e sabedoria exigidas pela sociedade já tão conturbada com problemas de falta de discernimento e cooperação entre a população, evidenciando para os garotos as vantagens da coletividade e do individualismo moderado, bem como a lei primordial da causa e conseqüência (ação e reação) presente no tabuleiro de Xadrez. Estruturando na criança os princípios da coerência e sensatez para que, imersa nos inúmeros contextos sociais que a delimitarão conforme crescer, esta se edifique com a integridade e ética que estes lhe ensinarão no decorrer da vida. Sendo a escola, o local que proverá boa parte desse alicerce cultural que futuramente sustentara os pequenos, é vital que tais ensinamentos sejam bem dispostos e bem aproveitados por eles, garantindo assim sua elevação moral e social, bem fundamentada nos princípios educacionais. Logicamente, se bem instruídos, esses futuros homens e mulheres estabelecerão consensualmente um laço fraterno e harmonioso com o ambiente ao redor e com os semelhantes que convive, tornando-as pessoas justas e arguciosas; reafirmando que isso elevaria o nível sócio cultual dos habitantes desta comarca, que como tantas outras, sofre com a pobreza intelectual dos constituintes que acomodados com os meios de entretenimento e cultura que lhes são propostos, são agregados involuntariamente à cultura de massa, o que inferioriza e limita a capacidade da população e conseqüentemente da cidade, que usufrui de todo seu corpo apenas a mão de obra.

OBJETIVO GERAL.

Ampliar a pratica do Xadrez entre o corpo decente e docente dos institutos públicos de ensino, favorecendo assim uma melhoria na harmonia intelectual, educacional para a população escolar e extra escolar, possibilitando que os adultos envolvidos na área reflitam e desenvolvam ações, tendo como base a importância da conciliação entre as disciplinas, desbancando métodos pedagógicos inócuos, favorecendo a cadeia de informações da qual o aluno tirará proveito até a chegada ao mercado de trabalho.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS.

Extrair as habilidades do raciocínio humano desde cedo para que com o passar do tempo, estas estejam preparadas para encarar os obstáculos mais desafiantes.
• Estimular o bom senso coletivo e o cooperativismo na turma, desvendando o real sentido da expressão – “a união faz a força”.
• Demonstrar as prováveis conseqüências de atos próprios e alheios, tomando decisões vinculadas a resoluções de problemas.
• Propiciar a melhoria do poder de concentração com a conseqüente otimização do aproveitamento dos alunos nas outras disciplinas escolares.
• Subsidiar as outras modalidades esportivas no que se refere à memória, visão espacial e imaginação.

JUSTIFICATIVA.

Na escola o principal propósito do professor é atender as necessidades dos diferentes tipos de alunos, pretendendo dessa forma não apenas endossar, mas também implantar efetivamente o jogo de Xadrez nas atividades diárias dos alunos como um meio de facilitar e enriquecer a aprendizagem. Desta linha de raciocínio derivou esse projeto que espera ser levado em consideração como uma proposta educacional na qual a principal ferramenta é o tabuleiro, sendo o professor um mero incentivador à metacognição, o “pensar sobre o pensar” a partir das mais variadas circunstancias que a vida possa impor, seja no acerto ou no erro, onde o aluno em seu palco de 64 quadrados é um colaborador ativo fazendo da escola um espaço de prazer e conhecimento, demonstrando à sociedade o quanto os órgãos públicos podem beneficiar os constituintes além do suficiente.

A METODOLOGIA.

Consiste inicialmente no ensino das 8 regras básicas do Xadrez, contando dois movimentos especiais e excluindo a coroação do peão, como também as formalidades exigidas nos campeonatos; logo mais, com o auxilio do livro de aberturas os alunos aprenderão como sustentar um ataque / defesa, a partir de então começarão a disputar partidas entre si, das mais variadas formas 1, onde já bem entendidos da desenvoltura necessária, aperfeiçoarão seus conhecimentos em torneios, gincanas, provas. Posteriormente, já no nível avançado, serão desafiados com problemas e enigmas, tornando-os aptos a fazer assimilações da situação encontrada no tabuleiro com a realidade de suas vidas, ilustrando através das peças sua postura em relação aos demais 2, sendo instruídos com um embasamento filosófico da existência circunstancial como apoio individual, traçando o perfil psicológico do aluno e incluindo-o dentro do todo, trabalhando com ambas as partes harmoniosamente, devendo ser aplicada tal modalidade apenas a faixa etária propícia a tal entendimento, acima dos 8 anos, já o Xadrez em si pode ser aplicado às crianças acima de 5 anos, ofertando as primícias das virtudes humanas para que se familiarizem com o futuro. Tecnicamente:
• Iniciantes – movimentos e habilidade das peças.
• Intermediários – sustentação de um ataque/defesa.
• Avançados – exercícios e enigmas.

O material segue a razão de 2 alunos para 1 tabuleiro, havendo eventuais variações, das quais pode ser jogado em grupo, o que depende da demanda de alunos. O mural é muito útil pois facilita ao professor repassar as táticas para a sala com maior versatilidade, relógios não são necessários até a elaboração de um clube de xadrez para a possível disputa de campeonato.

Para se estipular o cronograma e a quantidade de material é necessário um maior dialogo entre as partes, bem como estudar as informações do(s) instituto(s) que acatarão a proposta, sobre, demanda de aprendizes, material disponível, opinião do corpo docente, fundamental para a estruturação de um programa eficaz, pois toda obra bem fundamentada tende a durar por tempo indefinido.

“O gosto pelo xadrez vem de observar que em seu pequeno universo de 64 casas o homem pode manifestar sua ambigüidade existencial como bem entende e, assim compreender a dualidade da vida contida no(s) simples quadrilátero(s). Onde o desenvolvimento das peças expressa o sentimento daquele momento e as cores simbolizam a compreensão desse homem em relação ao mundo que habita. Descobrindo por si só a relatividade do tempo e espaço, da causa e conseqüência, do bem e do mau, da razão e da emoção entre o erro e o acerto”.

Leonardo C. Azevedo

1 - Abrange métodos que podem ser desenvolvidos até mesmo fora da sala e em grupos grandes.
2 - Pais, amigos, vizinhos; semelhantes.

“Sobre nós mãos invisíveis,
De um Enxadrista Profundo,
Fazem jogadas incríveis,
No imenso xadrez do mundo...”

Hegel Pontes

REFERÊNCIAS.
Capa - www.cex.org.br/ [ Sobre o xadrez ( Frases)] - CEX: Centro de Excelência de Xadrez.
Uma breve estória - aclc.com.sapo.pt/jogo.htm - Associação Cultural Luiz de Camões: Secção de Xadrez
Apresentação “aspas” - www.clubedexadrez.com.br (Artigos) - O intelecto do xadrez - por Benedito Velloso Júnior

MAIS REFERENCIAS.
Governo Federal -http://portal.esporte.gov.br/ascom/noticia_detalhe.jsp?idnoticia=2923
Fédération Internationale des Échecs (Federação Internacional de Xadrez) -http://www.fide.com/
CBX – Confederação Brasileira de Xadrez - http://www.cbx.org.br/
ABCX – Academia Brasileira de Cultura e Xadrez - http://www.abcx.org/

Leonardo C. Azevedo
leoazv@hotmail.com

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